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Reciclagem
Investigadores desenvolvem método revolucionário para reciclar plásticos
9 Maio 2022
 / 4 minutos de leitura

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) descobriu um processo simples e inovador que permite reciclar infinitamente os plásticos PET e, com isso, contribuir para o desenvolvimento da Economia Circular, anuncia a UA.

“Desenvolvemos uma forma simples, mais verde e contínua de fazer reciclagem de poliésteres [uma das famílias de polímeros mais utilizadas no fabrico de plásticos], tais como o PEF [baseado em açúcares das plantas] ou o PET [de origem petroquímica], muito utilizado em garrafas de plástico, tipicamente utilizadas uma só vez e depois descartadas”, destaca Andreia Sousa, investigadora do CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro, uma das unidades de investigação da UA.

A coordenadora do estudo espera que o trabalho agora publicado na revista científica Green Chemistry “possa ser um contributo para resolver um problema global”. Dada a importância do trabalho, a revista seleccionou mesmo o estudo da UA para figurar entre os 30 de uma colecção especial da Green Chemistry, o 2022 HOT Green Chemistry article.

 

“Hoje em dia as formas existentes para reciclar estes poliésteres são limitadas porque após alguns ciclos de reciclagem os polímeros perdem performance e, portanto, deixam de poder ser utilizados em aplicações de alto valor”, explica a investigadora.

 

Além disso reciclar quimicamente um polímero como o PET implicava, até agora, várias etapas, algumas muito demoradas e pouco sustentáveis. Com a abordagem descoberta pela equipa da UA isso não acontece porque para além de o polímero reciclado manter sempre as propriedades originais, o processo é realizado num único passo.

 

O trabalho, que além de Andreia Sousa é assinado pelos investigadores do CICECO Beatriz Agostinho e Armando Silvestre, demonstra ser possível “reciclar poliésteres com o recurso a solventes eutécticos, uma mistura de dois ou três compostos químicos que têm um ponto de fusão mais baixo do que os componentes originais, oferecendo vantagens como baixa toxicidade, biodegradabilidade, sustentabilidade e preparação simples”.

 

O uso desses solventes no processo, descobriu a equipa, introduziu uma grande novidade que é o facto de o processo ser realizável num único passo, além de ser muito simples e poder ser repetido infinitamente.

 

Estima-se que cerca de 4900 milhões de toneladas de polímeros estejam acumuladas em ambientes naturais, terrestres e aquáticos, nomeadamente os PET. Neste sentido, sublinha Andreia Sousa, “a criação de soluções de economia circular para a reutilização e valorização de resíduos poliméricos são desafios globais e estão em linha com a visão da União Europeia para a economia verde e azul e com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, nomeadamente o Objectivo 12 - Produção e Consumo Sustentáveis”.

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